O debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo promovido pelo Flow Podcast começou com atraso e com confusão nos bastidores. O evento estava previsto para começar às 20h, mas atrasou e começou depois das 20h30. O Estadão apurou que Marçal levou mais pessoas para o estúdio do que o permitido pelas regras. A organização confirmou a informação, mas disse que o atraso não está relacionado a isso e não apresentou outra justificativa. Antes disso, Pablo Marçal (PRTB) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) bateram boca nos corredores, com troca de acusações.
Os candidatos José Luiz Datena (PSDB) e Guilherme Boulos foram os primeiros a chegar para o debate promovido pelo Grupo Flow nesta última segunda-feira, 23. O tucano não falou com a imprensa. Boulos, por sua vez comemorou o resultado da pesquisa AtlasIntel, que o coloca com 28,3% das intenções de voto, 7,4 pontos percentuais à frente de Nunes e Marçal.
O debate desta noite estava inicialmente previsto para ocorrer na Faculdade de Direito da USP, mas estudantes convocaram uma manifestação contra a presença de Nunes e Marçal. Com isso, o evento teve seu local alterado duas vezes: primeiro para o Centro de Difusão Internacional da USP e, finalmente, para o Esporte Clube Sírio. Até o fim do primeiro turno, os candidatos deverão participar de 11 debates, o que representa um recorde na história das eleições municipais de São Paulo.
Os participantes responderam a perguntas focadas em saúde, educação, segurança pública, acessibilidade, transporte e população em situação de rua. Em cada bloco, um tema foi apresentado e dois candidatos sorteados: o primeiro com dois minutos para responder à pergunta feita por especialistas e eleitores, enquanto o segundo com um minuto e meio para comentar.
O formato do debate, que impede os candidatos de fazer perguntas diretas aos adversários, gerou reações diversas nos bastidores das campanhas. Enquanto alguns candidatos elogiaram o modelo, argumentando que ele garantirá o foco exclusivo nas propostas, outros criticaram, alegando que esse formato engessa a dinâmica do programa e limita as questões que poderão ser discutidas.
Com blocos sem muitas emoções, a gestão de Nunes se tornou o principal alvo dos adversários em temas como educação, assistência social e mobilidade urbana. O modelo do debate também incentivou dobradinhas entre os candidatos, seja entre Guilherme Boulos (PSOL) e Datena contra o prefeito ou de Marçal e Marina Helena (Novo) contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os ataques mais ácidos contra o prefeito partiram do tucano e do influenciador, que chamou Nunes de “estepe” em alusão ao fato de que o atual prefeito assumiu o cargo após o falecimento de Bruno Covas, em 2021. Marçal também criticou a atual gestão, afirmando que Nunes não concluiu as obras de mobilidade urbana.
Expulsão e Agressão
Faltando 40 segundos para o encerramento de um debate eleitoral para a Prefeitura da capital paulista que vinha sendo marcado por ser “civilizado”, o ex-coach Pablo Marçal (PRTB) iniciou uma série de provocações contra Ricardo Nunes (MDB), foi expulso do programa e, na sequência, o marqueteiro do prefeito, Duda Lima, terminou atingido por um soco na boca por um integrante da equipe de Pablo Marçal, identificado como Nahuel Medina.
A confusão se deu após Marçal ser duramente repreendido pelo mediador do debate, o jornalista Carlos Tramontina. Ele era o último candidato a fazer suas considerações finais e usou o tempo para chamar Nunes de “bananinha”, o que era proibido, segundo as regras, e dizer que o prefeito seria preso pela Polícia Federal.
Marçal insistiu nas falas após a reprimenda e foi expulso. Fora das câmeras, um de seus assessores, segundo testemunhas, discutiu com o marqueteiro de Nunes e terminou por dar um soco em sua boca. Duda Lima ficou ferido.Play Video
“Só estou aqui porque o Boulos ia ganhar a eleição do bananinha, porque ele é fraco. E eu faço uma promessa de campanha para vocês. Ele vai para a cadeia”.
Tramontina interrompeu Marçal e o ex-coach protestou, dizendo que não seria interrompido. “Você me dá uma advertência no final”.
Contudo, o jornalista passou a exibir uma cópia das regras do debate, assinada por todas as candidaturas, e chegou a devolver a fala a Marçal após dizer que ele estava advertido. Ao retomar a palavra, contudo, Marçal voltou à carga.
“Não vou deixar para o último segundo. Está muito clara a atitude do senhor. Foi tudo muito bom mas, nas considerações finais, o senhor quer entornar o caldo”.
Marçal ficou em silêncio deixando o tempo correr. Faltado 10 segundos, o ex-coach novamente retomou os ataques. Tramontina então o expulsou.
Antes mesmo que Marçal saísse do palco, um dos assessores do ex-coach deu um soco no marqueteiro do prefeito. Duda Lima ficou com o rosto sangrando na hora. Testemunhas passaram a pedir que o agressor, identificado como Nahuel Medina, fosse preso. Policiais militares estavam no local.

