O que fez você se apaixonar pelo futebol? O esporte que nos proporciona tantas emoções.
Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março em todo o mundo, a FIFA perguntou às jogadoras quem – ou o que – as inspirou a escolher o campo de futebol como palco de seus sonhos.
“Comecei a jogar futebol porque meu irmão jogava”, afirma a italiana Barbara Bonansea. “Mas acho que isso já estava dentro de mim desde que nasci. Acredito que, se você não tem isso dentro de si, acaba desistindo.”
“As mulheres da minha vida também me inspiraram nessa jornada: minha mãe e minha avó, que infelizmente já não está mais entre nós. São pessoas que vi trabalhando todos os dias pelos outros, sem reclamar e sem buscar reconhecimento. Isso me inspirou, e procuro seguir o exemplo delas e trabalhar todos os dias para melhorar a mim mesma e o ambiente em que estou.”
No caso de Yvonne Gabong, jogadora da seleção de Papua-Nova Guiné, o futebol também começou em família. “Eu estava com meu irmão mais novo, devíamos ter uns nove ou dez anos, e revezávamos entre chutar e ficar no gol”, lembra a jogadora, que disputou as eliminatórias da OFC para a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™. “Ele estava na pequena área e, quando eu chutei, ele quebrou o pé. Hoje ele me perdoa, mas foi assim que tudo começou, quando entrei no futebol.”
A alemã Sjoeke Nüsken também acredita que foi influenciada pela família. “Para mim, foi minha irmã. Naquela época ela também jogava futebol, e sempre acontecia de eu querer imediatamente fazer tudo o que ela estava fazendo. Foi isso que me levou ao futebol.”
“O futebol sempre foi minha paixão desde criança, e devo muito ao meu pai”, explica a meio-campista indiana Shilky Devi Hemam. “Naquela época, quase não havia meninas ou mulheres jogando futebol na minha cidade, talvez uma ou duas, mas ele sempre me incentivava a jogar. Como não tínhamos televisão em casa naquele tempo, com meu pai, meus vizinhos e todos os outros da região, nós nos reuníamos em uma casa que tinha televisão e assistíamos grandes jogos, como na Copa do Mundo.”
Por sua vez, apesar de admirar Lionel Messi e o time masculino do Barça quando era pequena, a jogadora da seleção de Camarões Monique Ngock, de 21 anos, também encontra na família sua principal inspiração. “A pessoa mais importante foi minha mãe. Ela esteve ao meu lado em um momento da minha vida em que eu queria desistir, porque as pessoas não tinham muita fé em mim. Com a forma como a sociedade via as jogadoras naquela época, foi um pouco difícil. Mas minha mãe esteve ao meu lado desde o começo.”
“Eu estaria mentindo se dissesse que houve um jogador em particular que me inspirou a jogar futebol”, continua Ngock, que joga pelo Fleury 91 na França. “No começo, eu assistia muito futebol masculino – muito mesmo, na verdade. Minha referência era Marc-Vivien Foe. Lembro de depois descobrir a seleção feminina de Camarões. Pensei comigo mesma: ‘Ah, existem mulheres representando o nosso país?’ Foi quando descobri Gaelle Enganamouit. Ela estava realmente no auge, era a melhor jogadora camaronesa, embora eu não soubesse muito qual impacto ela tinha fora de campo. Depois descobri outras jogadoras como [Gabrielle] Aboudi Onguene e Ajara [Nchout].”
Clara Mateo, sete anos mais velha que a jogadora camaronesa que enfrenta com frequência nos gramados do Campeonato Francês defendendo o Paris FC, sofreu com a falta de visibilidade do futebol feminino. “Eu não tive exatamente uma inspiração específica”, diz a jogadora da seleção francesa, de 27 anos. “Porque naquela época — parece que estou muito velha falando assim (risos) — não tinha muita cobertura na mídia. Mas eu sou uma grande fã de atletismo, então obviamente Marie-Jose Perec. Ela foi muito inspiradora.”
Josefine Hasbo, por sua vez, ficou imediatamente impressionada por uma de suas companheiras na seleção da Dinamarca. “Com mais maturidade no futebol, acabo tendo contato com muitas personalidades e jogadoras incríveis; como a Pernille Harder, por exemplo, da nossa seleção da Dinamarca. É incrível estar perto dela e ela realmente tem sido alguém da Dinamarca que expandiu as fronteiras e levou os limites do que podemos fazer no futebol dinamarquês. Então eu provavelmente apontaria para ela.”
“No fim das contas, acho que foi meu amor pelo jogo que me levou até onde estou hoje”, continuou a jogadora dinamarquesa do Boston Legacy e graduada em Harvard. “E também acho que houve um pouco de sorte pelo fato de que minha melhor amiga, quando eu tinha sete anos, jogava futebol. Eu quis participar no pátio da escola e aí uma coisa acabou levando à outra. Mas, na verdade, o impulso para esse próximo nível mais alto e de elite tem sido porque eu amo o jogo e porque tenho uma motivação interna de querer me superar e querer me desafiar.”
A vontade de ir além dos próprios limites também foi o que motivou a defensora chinesa Wang Linlin. “Quando comecei a jogar futebol, não foi porque eu assistia a jogos na TV, mas sim porque eu não era muito forte fisicamente desde que era jovem”, explicou ela. “No começo, eu só queria praticar esporte para melhorar minha saúde. Como o futebol deixou meu corpo mais forte, também me fez me apaixonar pelo esporte. À noite, nosso treinador colocava transmissões de jogos para nós, e assistíamos às jogadoras mais velhas competindo ao vivo na televisão. Eu realmente as admirava e disse a mim mesma que esse era o meu sonho e meu objetivo e que eu trabalharia duro para representar a seleção nacional um dia.”
Com 24 e 25 anos, respectivamente, as jogadoras da Dinamarca e da China ainda não presenciaram toda a transformação do futebol feminino ao longo dos anos, algo que as gerações anteriores conheceram bem.
“As maiores mudanças provavelmente vieram com o investimento”, explicou Raquel Rodriguez, jogadora da seleção da Costa Rica, de 32 anos. “Tudo se resume a isso, certo? Com investimento vêm melhores recursos e tudo fica um pouco mais profissional. Hoje é uma profissão. Podemos ser profissionais. De como era quando comecei para agora é muito diferente. No mundo todo cresceu muito.”
Ecoando as palavras de ‘Rocky’, a italiana Bonansea conclui: “Acredito que a nossa geração na Itália ajudou o movimento do futebol feminino a crescer muito. Lutamos para chegar onde estamos hoje, mas devemos continuar nesse caminho e tentar passar a mensagem para as meninas mais jovens.”
E assim se tornar uma fonte de inspiração para as futuras gerações de grandes jogadoras de futebol.
Fonte: FIFA

