O ano de 2024 foi inesquecível para o futebol feminino brasileiro. Se dentro de campo a Seleção voltou ao top 10 do Ranking Mundial Feminino FIFA/Coca-Cola, graças aos vice-campeonatos em Paris 2024 e na Copa Ouro da Concacaf, fora de campo o país inteiro teve um motivo para comemorar: o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™.
A notícia não animou apenas os torcedores brasileiros, como as jogadoras da Seleção, que iniciaram uma espécie de contagem regressiva para viver esse momento histórico. É o caso de Tarciane, medalhista de prata em Paris. À FIFA, a zagueira lembrou o dia em que recebeu a notícia.
Quando fiquei sabendo, eu pulei de alegria”, revelou. “Esse será um evento único, que vai gerar muita felicidade pra quem ama e acompanha a modalidade, principalmente no Brasil.”
Ela sabe do que está falando. Tarciane tinha 11 anos de idade quando o Brasil sediou a Copa do Mundo da FIFA 2014™. Apesar de toda a decepção com o 7 a 1 para a Alemanha na semifinal, ela nunca esqueceu aquele torneio especial. “Claro que essa Copa do Mundo me motivou a ser a jogadora que sou hoje”, admitiu. “Esse é o tipo de evento que te inspira, que faz você querer ser atleta e representar o seu país em uma Copa do Mundo.”
Um talento tão raro quanto genuíno, Tarciane foi impulsionada pela fome de vitórias deixada por aquela Copa do Mundo em toda uma geração. Além dela, Lauren (22 anos), Bruninha (22), Giovana (21) e até Priscila (20) formam um grupo de atletas que tiveram a Copa de 2014 como base para sua formação como atleta. O Brasil, da mesma forma, vai aproveitar boa parte da estrutura deixada pelo Mundial para a Copa de 2026. É “natural”.
E “natural” tem sido um conceito muito usado por trás da candidatura do Brasil para sediar a Copa do Mundo. O slogan utilizado pela Confederação Brasileira de Futebol, “uma escolha natural”, trouxe duas principais ideias: o desenvolvimento sustentável e o papel do futebol, que deveriam ser partes “naturais” de nossas vidas.
“Espero que o país inteiro se una para apoiar a Seleção”, continuou Tarciane. “A Copa do Mundo desperta um sentimento especial e aproxima o esporte ainda mais dos torcedores. Esse é um evento chave para o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil”.
A estratégia é centrada ao redor de vários objetivos: consolidar a reputação do Brasil como sede natural apoiada em sua “geração dourada” de grandes eventos no país; deixar um legado técnico e humano ao garantir que as mulheres ocupem espaços de decisão na organização da competição; aumentar a participante de jovens garotas e mulheres focando em objetivos específicos a nível de clube; aumentar ainda mais os recentes esforços do Brasil em seu desenvolvimento sustentável; conectar a nova geração de torcedores pelas redes sociais; e proteger as mulheres e seus direitos.
Alcançando esses objetivos, o Brasil poderá repetir o sucesso da última edição da Copa, que foi realizada na Austrália e na Nova Zelândia. Tarciane lamenta ter ficado de fora daquele torneio. “Acho que tudo acontece por um motivo. Eu disse que teria outras chances de realizar meu sonho, e isso começa com essa Copa do Mundo no Brasil. Trabalho duro todo dia para fazer acontecer. Eu só quero evoluir, aprender e estar pronta quando as próximas oportunidades vierem.”
Coincidentemente, uma dobradinha de amistosos entre Austrália e Brasil fechou o ano da Seleção em uma nota alta. O Brasil venceu as duas partidas por 2 a 1 e 3 a 1, respectivamente, garantindo uma escalada até a sétima posição no Ranking FIFA/Coca-Cola.
Fonte: FIFA

