O presidente da China, Xi Jinping, chegou à Casa Branca, na manhã desta quinta-feira (24), para uma reunião com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em um discurso no hall de entrada da Casa Branca, antes do início da reunião, Trump afirmou que ele e Xi discutirão segurança, tecnologia e inteligência artificial durante a reunião. O líder americano também afirmou que forjou uma “amizade verdadeiramente grande” com o presidente chinês.
Segundo o presidente americano, autoridades dos EUA e da China têm trabalhado para promover uma relação comercial mais equilibrada entre os dois países, incluindo a abertura de novos mercados para agricultores e pecuaristas norte-americanos.
Trump também confirmou que Xi o acompanhará aos Arquivos Nacionais na sexta-feira (25), onde verão documentos históricos, incluindo a Declaração de Independência e a Constituição dos Estados Unidos.
“O presidente Xi e a senhora Peng chegam em um momento importante para a América: o 250º aniversário de nossa fundação”, disse ele. “Amanhã, visitaremos os Arquivos Nacionais para ver alguns dos maiores tesouros dessa história de que tanto nos orgulhamos.”
O republicano acrescentou que o grupo também verá artefatos de intercâmbios culturais passados entre a China e os EUA, descrevendo-os como um testemunho da “longa e estimada relação — algo realmente incrível”.
“Assim como nossos antepassados atravessaram o oceano séculos atrás para comercializar, aprender e construir um mundo melhor, nossos dois países fazem exatamente a mesma coisa; temos muito orgulho disso e dessa relação”, continuou o líder americano.
Esta é a primeira visita de Xi a Washington desde 2015, a viagem aos Estados Unidos terá duração de três dias.
Temas da reunião
Trump afirmou, nesta quinta-feira (24), que ele e Xi Jinping discutirão o futuro da inteligência artificial durante a visita de Estado de Xi, descrevendo a IA como um meio de promover a paz “nas próximas décadas”.
“Durante esta visita, também discutiremos questões urgentes relacionadas à segurança, tecnologia e superinteligência — SI”, declarou o presidente, referindo-se a um termo para IA que ele considera menos ameaçador. “As decisões que tomarmos nessas áreas hoje podem promover paz e prosperidade por muitas décadas.”
O presidente também destacou novos avanços comerciais entre os EUA e a China, afirmando que ele e Xi “fizeram progressos enormes nas questões que envolvem nossos dois países”.
Trump mencionou sua viagem a Pequim em maio e a criação de um novo “Conselho de Comércio”, descrevendo-o como “um mecanismo totalmente novo e algo que tem sido incrivelmente bem-sucedido”.
O chamado Conselho de Comércio foi apresentado no início deste ano como uma forma de impulsionar o comércio de produtos não sensíveis entre os EUA e a China.
“Nossas equipes têm trabalhado para incentivar uma relação comercial mais equilibrada, incluindo o novo acesso ao mercado para agricultores e pecuaristas americanos”, disse o americano.
Apesar de suas profundas divergências, ambos os lados seguiram em frente com a cúpula, que, segundo analistas, busca projetar estabilidade entre a maior fábrica do mundo e seu maior consumidor.
As expectativas de um avanço significativo durante a visita de Xi são mínimas.
A trégua comercial de 11 meses entre os países chega ao fim em novembro, mas os dois lados estão em desacordo sobre questões que vão de Taiwan a narcóticos e minerais de terras raras.
Pessoas a par dos planos afirmaram que Xi provavelmente levantará com veemência a reivindicação de Pequim sobre Taiwan, um tema que Washington preferiria evitar, enquanto Trump provavelmente manterá controles rígidos sobre as exportações dos EUA apesar das objeções de Xi.
No entanto, as conversas marcadas para quinta-feira (24) podem, mesmo assim, resultar em acordos para reduzir tarifas em setores específicos, cooperar no combate ao tráfico de drogas e ampliar o diálogo entre as forças armadas.
Trump deve buscar a libertação de alguns norte-americanos e outras pessoas detidas na China, segundo essas fontes.
Os dois países também podem concordar em discutir mais sobre inteligência artificial, área em que estão em acirrada competição, mas cientes dos perigos crescentes.
A reunião ocorre em um momento difícil para Trump, que enfrenta queda nos índices de aprovação à medida que cresce o descontentamento público com a guerra contra o Irã.
Xi, embora também enfrente desafios internos, chega em uma posição aparentemente mais forte, com o motor comercial de seu país em plena atividade.
Os próprios líderes podem não sentir que precisam fazer concessões, afirmaram analistas.
“O presidente acredita firmemente que, com o tempo, a economia dos EUA vai crescer e o país ficará mais forte”, disse Edgard Kagan, ex-funcionário da Casa Branca que agora trabalha no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington.
“Acho que, quando Xi Jinping se sentar com Donald Trump, ele estará convencido de que os EUA estão em declínio vertiginoso e que o tempo está do lado da China”, completou ele.
Mensagem de Xi
Ao chegar aos Estados Unidos, Xi afirmou, em uma declaração divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da China, que as duas maiores economias do mundo podem coexistir.
“Juntos, podemos e devemos encontrar a abordagem certa para que a China e os Estados Unidos, duas grandes nações, convivam bem na nova era. Estou confiante de que conseguiremos”, disse Xi, segundo o comunicado.
“Alcançar a grande revitalização da nação chinesa e tornar a América grande novamente podem caminhar lado a lado; os dois países podem contribuir para o sucesso um do outro, beneficiando assim o mundo como um todo”, acrescentou.
A mensagem repete uma linha adotada por Xi em maio, durante a visita de Estado de Trump à China.
Recepção incomum
A recepção de Xi na Base Conjunta Andrews rompeu com o protocolo habitual. Segundo as informações divulgadas, foi a primeira vez em 11 anos que um presidente americano recebeu um líder estrangeiro na base militar desde que Barack Obama recebeu o papa Francisco no local, em 2015.
A viagem também prevê uma série de eventos oficiais. Entre eles estão um jantar com personalidades do setor tecnológico, uma cerimônia militar na Casa Branca com sobrevoos de jatos e uma visita aos Arquivos Nacionais, onde estão guardados exemplares originais da Declaração de Independência e da Constituição dos Estados Unidos.
Trump também falou sobre o novo salão de baile que está sendo construído na Casa Branca e afirmou que gostaria que a obra estivesse pronta para o jantar de Estado de Xi.
(Com informações de Kit Maher, Jerome Taylor and Sylvie Zhuang, da CNN, Trevor Hunnicutt, David Brunnstrom, Yimou Lee e Ben Blanchard, da Reuters).


