Adriana Victorino e Maria Luiza Valeriano
Convocados por Bolsonaro e Silas Malafaia, o ato teve como foco o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e a anistia dos presos pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. “Cabeça de ovo, supremo é o povo”, ecoavam os bolsonaristas, em referência ao ministro.
Entre os manifestantes, a crítica foi generalizada.
“Estamos manifestando os absurdos que estão acontecendo no nosso Brasil. A esquerda está enraizada. Cada lugar, às vezes até no metrô, nos ônibus, tem o PCC. Eles enraizaram”, opinou Eduardo Fernando, de 65 anos.
O ato organizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) neste sábado, 7, na Avenida Paulista, contou com a presença de 45 mil pessoas, segundo estimativas do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP). A manifestação que pediu o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes mobilizou apenas um quarto do público presente no último ato bolsonarista, realizado em 25 de fevereiro, quando 185 mil apoiadores do ex-presidente compareceram a um dos cartões-postais da capital paulista.
Eleições de São Paulo
Embora o apoio a Bolsonaro e o desejo de uma nova eleição do ex-presidente sejam praticamente unânimes entre os manifestantes, as opiniões se dividem em relação às eleições municipais de 2024. Bonés com o símbolo do candidato Pablo Marçal (PRTB) eram vendidos e usados em diversos pontos da multidão. Por outro lado, muitos bolsonaristas reprovaram o nome do ex-coach e empresário para a prefeitura da capital paulista.
Ricardo Nunes (MDB), candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, não conquistou a simpatia do público presente.
Além dos dois prefeituráveis, candidatos à Câmara Municipal de São Paulo aproveitaram o ato para promover suas respectivas candidaturas, com distribuição de ‘santinhos’, vídeos e discursos.
Mas o teor da manifestação foi o mesmo do ato que ocorreu no início deste ano, quando uma multidão foi até a Avenida Paulista para prestar apoio ao ex-presidente que se dizia “perseguido” pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, sem a proibição de Bolsonaro sobre o uso de faixas e cartazes contra as instituições – que ocorreu em fevereiro – o ato teve um tom mais duro. Bolsonaro e seus aliados no trio do evento também fizeram falas mais fortes contra o ministro e também contra o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Num discurso emocionado, o ex-presidente relembrou a facada que sofreu em 2018 e defendeu, novamente, a tese nunca comprovada de que sua vitória na eleição daquele ano foi resultado de uma “falha no sistema” eleitoral. Bolsonaro ainda atacou o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de conduzir as eleições de 2022 de maneira “parcial” e de “escolher seus alvos”. “Eles, para evitar que eu tivesse chance de voltar, decretaram a minha inelegibilidade”, disse o ex-presidente.
O ato ainda contou com a presença de aliados de Bolsonaro como Tarcísio de Freitas, que pediu anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Outros bolsonaristas também participaram da manifestação e pediram desde o impeachment de Moraes até a prisão do ministro.

