Trevor Hughes e Markinhos Libardi

Nas últimas viagens que fiz em solo brasileiro e até mesmo as internacionais observei aeroportos muito movimentados e todos os voos que peguei estavam com capacidade lotada.

Apesar dos preços altos das passagens aéreas, os brasileiros estão viajando mais. Aqueles com suas finanças mais contadas fazem viagens curtas e próximas, enquanto os que têm uma folga melhor no orçamento vão para destinos nacionais em resorts ou viagens internacionais.

Como milhões de brasileiros, eu estive viajando meio que impulsionado em parte pela demanda reprimida da COVID-19. Os aeroportos estão relatando viagens recordes, e analistas dizem que os turistas planejam gastar mais em suas viagens, mesmo com os preços mais altos da gasolina, taxas de juros e custos com alimentos afetando seus gastos diários.

No início do ano, pesquisas já indicavam que 54% dos brasileiros pretendiam investir em viagens, mesmo com todas as nuances e dúvidas da economia.

  • Viagens: Em 2024, 54% dos brasileiros pretendem investir em viagens.
  • Outros Investimentos: Itens pessoais e para casa (42%), saúde e bem-estar (36%), educação (33%) e pagamento de dívidas (32%).
  • Economia: A tendência de priorizar viagens pode movimentar diversos setores da economia.
  • Experiências: As pessoas querem experimentar algo diferente em vez de só se preocupar com bens físicos.

Em vários países do mundo a situação é idêntica. Nos Estados Unidos, que têm Eleições Presidenciais em breve, a economia e a inflação são o maior problema com 35%, com ameaças à democracia bem atrás, com 21%, e a imigração mais para trás, com 19%, de acordo com uma pesquisa da Suffolk University realizada com eleitores em julho.

E embora os salários e o mercado de ações estejam em alta por lá, sob o presidente Joe Biden, os custos mais altos de combustível e alimentos, juntamente com a acessibilidade à moradia, continuam sendo uma grande preocupação.

Especialistas dizem que existem muitos viajantes “turistando” por aí. Eles sabem que está tudo mais caro, mas ainda assim vão cortando gastos em outros lugares ou economizando mais.

O fato de as pessoas estarem priorizando viagens é uma mudança na alocação de recursos: elas estão optando por experiências de viagem, o que representa uma mudança estrutural em relação às suas vidas, em relação a como desejam gastar seu tempo e dinheiro. A pandemia pode ter servido como um lembrete de que a vida é breve e que as pessoas podem ou devem dedicar mais tempo para fazer coisas que gostam junto com pessoas que gostam.

Claro que existe uma preocupação com os preços das passagens aéreas. De acordo com o IPCA, o índice que mede a inflação oficial do país, o preço das passagens tem subiu muito em 2023 com alta maior que 40% e continua subindo em 2024. Diante desse cenário, existem os consumidores que buscam alternativas para viajar sem depender do avião, como o transporte rodoviário, linhas de ônibus e até mesmo o transporte particular. Essas opções têm se mostrado uma alternativa viável para lidar com os custos elevados das passagens aéreas.

O aumento dos preços afeta mais as famílias de baixa renda no planejamento de viagens.

O turismo internacional continua no seu processo de retomada aos níveis pré-pandemia. Além dos preços das passagens, a alta do dólar também é um entrave para que as famílias fechem passeios para o exterior. Então, até mesmo quem tem mais recursos financeiros que não querem gastar muitos dólares, estão indo para resorts em nacionais.

O setor de turismo apresenta grande oferta de tipos de viagens que atendem a todos os bolsos com ofertas de voos, opções de cruzeiros e resorts nacionais.

O turismo funciona melhor quando a economia está melhor. Especialistas dizem que o setor de turismo cresceu 8% em volume de receita em 2023 e a expectativa é de crescimento de mais de 2% em 2024.

As passagens aéreas continuam caras para os brasileiros mesmo com o IPCA em queda, o que faz com que muitos continuem a viajar, mas com passeios mais curtos para equalizar os custos com os ganhos.

Existe uma corda tensa entre as empresas aéreas e os passageiros pois as estatísticas mostram que as passagens aéreas tiveram uma queda de 2,59% nos últimos 12 meses – 9,88% só em junho – de acordo com o IPCA, os preços ainda estão em muito altos. Aumento de 15,62% em 2019, 28,05% em 2020, 17,59% em 2021, 23,53% em 2022 e 47,24% em 2023.

Então, o jeito é tentar se equilibrar nessa balança de oferta e demanda para planejar com antecedência e ajustado à capacidade financeira de cada um, as melhores viagens, os melhores passeios, as melhores oportunidades de ficar mais tempo se divertindo com quem você ama.

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