Markinhos Libardi
Irupi, Iúna, Conceição do Castelo, Venda Nova do Imigrante e Domingos Martins – ES – Os empreendedores capixabas Marcos Libardi e Vanderson Thomas, que fazem parte da equipe do Portal Brasil Hoje News, fizeram recentemente a travessia de um trecho da histórica Rota Imperial, entre o município de Irupi, no interior, até a charmosa cidade de Domingos Martins, nas montanhas do Espírito Santo. A jornada, mais do que um desafio logístico, serviu como uma verdadeira expedição de negócios, visando mapear oportunidades de empreendedorismo e valorizar a história e o turismo locais.
A Rota Imperial é um caminho de grande importância histórica, com mais de 570 km, ligando a capital capixaba Vitória a Ouro Preto, em Minas Gerais. O percurso dos empreendedores, embora parcial, destacou a diversidade de paisagens e o potencial econômico da região. Durante a travessia, a equipe registrou e catalogou diversos pontos de interesse, desde pequenos produtores rurais a pousadas e restaurantes que operam às margens do trajeto.
A conexão da Rota Imperial com a Coroa Portuguesa
- Construção por ordem real: A Rota Imperial foi criada por ordem de D. João VI em 1814, quando ele ainda era príncipe regente. A construção foi finalizada em 1816.
- Tráfego de ouro: Embora a rota tenha sido estabelecida no período joanino, ela não fazia parte do famoso “Caminho do Ouro” da Estrada Real, que ligava Ouro Preto a Paraty, e foi utilizada pela Coroa Portuguesa no século XVIII, muito antes da chegada de D. João VI ao Brasil.
Dom Pedro e a Rota Imperial
Em 1860, Dom Pedro II fez viagem de inspeção ao percurso que é repleto de histórias e reúne preciosidades diversas, sabores, religiosidade e herança cultural dos imigrantes. O trecho capixaba, com 14 municípios, está sinalizado por totens, que apesar de muitos estarem escondidos, confusos e deteriorados, contém informações para turistas.
Difícil é resistir a encantamentos como um pôr do sol no Pico da Bandeira; banhos em cachoeiras, rios e lagos de águas cristalinas; passeios por matas exuberantes; e a contemplação de animais raros. A equipe do Brasil Hoje News andou por várias estradas com subidas íngremes, curvas em “cotovelo”, visitou cachoeiras, montanhas, percorreu trilhas empolgantes para ciclistas e motociclistas, e se deliciou com pratos típicos da cultura local e da colonização europeia na região.
Viagem de volta a Portugal com o tesouro real
- Fuga da família real: D. João VI veio para o Brasil em 1808, fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte.
- Retorno em 1821: A travessia de D. João VI de volta a Portugal aconteceu em 1821.
- Cofres vazios: Há relatos que indicam que, antes de sua partida, ele esvaziou os cofres do Banco do Brasil e levou uma quantia considerável de ouro e diamantes para Lisboa.
Confusão histórica
Muitas estórias e lendas contam a trajetória da Rota Imperial e a associação entre D. João VI e uma “travessia de ouro“. A Rota Imperial está ligada à decisão política de D. João VI, mas a lenda de um grande transporte de ouro sob sua supervisão pode ser referir, na verdade, à sua saída do Brasil.

