Por Rany Veloso da CBN

Antes de embarcar para o RJ, o senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira (15), que Romeu Zema foi precipitado ao criticar as negociações dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio disse que tentou ligar para o Zema, entende que ele é novo na política, mas que merecia o benefício da dúvida.

Romeu Zema, que também é pré-candidato à presidência pelo Novo, disse que seria “imperdoável” e “um tapa na cara da sociedade” Flávio cobrar dinheiro a Vorcaro.

‘Acho que ele foi precipitado, eu acho que eu merecia, pelo menos, da parte dele, já que nós conversamos, o benefício da dúvida, pelo menos. E após as minhas declarações, após os meus esclarecimentos, todo mundo com quem eu conversei diz que ficou bastante claro que não houve nada de errado, portanto, eu acho que ele se equivocou em se antecipar e pré-condenar. Ele se equivocou, jamais faria isso com ele’.

Por outro lado, Flávio elogiou a postura de Ronaldo Caiado, outro presidenciável do PSD, que, segundo ele, adotou um posicionamento respeitoso.

De acordo com aliados de Flávio Bolsonaro à CBN, quando o senador se reuniu com o pai, na quarta-feira, o ex-presidente Jair Bolsonaro disse para ele “aguentar firme”, porque isso “vai passar” e ele “vai vencer”.

Jair Bolsonaro também disse que não tem a menor chance de Flávio ser substituído como candidato do PL. Um nome ventilado nos bastidores seria da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem dificuldades de relacionamento com o 01.

Flávio Bolsonaro também decidiu que vai ampliar a equipe contratando um gestor de crise, uma vez que a entrevista concedida ontem à Globonews foi avaliada internamente como “malsucedida”. No entanto, havia uma pressão de aliados políticos para que Flávio Bolsonaro se manifestasse publicamente sobre a acusação.

A crise começou após o site Intercept Brasil revelar áudios e mensagens que mostram negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro de R$ 134 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, biografia política do ex-presidente. Desse montante, foram repassados por Vorcaro R$ 61 milhões até maio do ano passado.

Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que se trata de patrocínio privado para uma obra privada, que não houve uso de dinheiro público ou benefício pessoal, e que os recursos foram repassados diretamente a um fundo de investimento fiscalizado pelo governo americano.

Fundo esse que ele citou novamente hoje, ao repetir que o mesmo era era gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. Ele nega que o irmão, que permanece nos EUA, tenha usado os recursos. A Polícia Federal investiga a suspeita.

Apesar de ter passado os últimos dois dias em reuniões de crise com a cúpula do partido em Brasília, o senador comunicou a aliados que a sua pré-campanha à presidência da República está mantida. Ele cumpre agenda neste fim de semana no Rio de Janeiro e interior de São Paulo.

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