Guilherme Rajão – CNN Leticia Martins colaboração para a CNN
Mariana Schreiber – BBC
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou nesta sexta-feira (29), que a questão da isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) na última quarta-feira (27), “não é para agora”.
Essa questão da isenção do IR é uma outra questão apartada, que não é para agora, e que vai ser projetada com uma discussão futura. E que vai acontecer se, e somente se, nós tivermos condição, em termos fiscais, de poder implementá-la”, disse Pacheco.
Questionado sobre apoiar o corte de gastos, Pacheco declarou: “Apoio com restrições e com a possibilidade de incremento”.
Já o economista Samuel Pessôa, pesquisador do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) e chefe de pesquisa econômica do Julius Baer Family Office, criticou a decisão do governo de aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil, em meio a uma crise fiscal, como uma “medida eleitoreira“, de olho na disputa presidencial de 2026.
Na sua leitura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mira o eleitorado de classe média, com renda de R$ 3 mil a R$ 5 mil, para fortalecer sua tentativa de reeleição.
A expectativa do Ministério da Fazenda é aprovar o aumento da isenção, hoje limitada a dois salários-mínimos (R$ 2.824), no Congresso no próximo ano, para que ela entre em vigor em 2026.
O problema, diz Pessôa, é que a medida está sendo proposta num momento de desequilíbrio das contas públicas e tende a agravar esse quadro, provocando aumento de inflação no país.

