Atualizado as 12:20 h

A princípio, a RedeTV! decidiu adotar novas medidas de segurança para o debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, que ocorreu nesta terça-feira (17/9). A emissora parafusou cadeiras no chão, essa decisão acontece após o incidente entre José Luiz Datena (PSDB) e Pablo Marçal (PRTB) no debate promovido pela TV Cultura no último domingo (15/9). Datena, após uma troca de ofensas, atirou uma cadeira em Marçal.

Cadeira de Datena. Foto: Reprodução/ TV Cultura

Além disso, a RedeTV! comunicou que parafusou as cadeiras dos seis participantes: Pablo Marçal, José Luiz Datena, Guilherme Boulos (PSOL), Ricardo Nunes (MDB), Tabata Amaral (PSB) e Marina Helena (Novo). Além de fixar os assentos, a emissora reforçou a segurança no estúdio, contratando mais profissionais para garantir a ordem durante o evento. A princípio, a emissora preferiu não divulgar o número exato de seguranças.

O sexto debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, promovido pela RedeTV e UOL nesta terça-feira, 17, começou com confrontos entre os concorrentes, e com o descontrole de Pablo Marçal (PRTB). Durante um embate acalorado com Ricardo Nunes (MDB), Marçal elevou o tom de voz repetidamente, levando a mediadora a intervir e pedir respeito. “O debate tem que ser sobre política, não sobre polícia”, ressaltou Amanda Klein.

Em um debate em que as propostas ficaram em segundo plano e não houve discussão sobre os principais problemas da cidade, Marçal primeiro se referiu a Ricardo Nunes como “bananinha”, o que resultou em uma primeira repreensão por parte da âncora do debate, que solicitou que os candidatos evitassem o uso de apelidos pejorativos e mantivessem o respeito durante os confrontos. Na sequência, Marçal atacou Datena e disse que ele teve atitude comparada a de um orangotango no debate da  TV Cultura. 

Nunes imediatamente solicitou direito de resposta, criticando os ataques de Marçal e pedindo que ele respeite os eleitores. “Essas agressões o tempo inteiro nos incomodam”, afirmou o atual prefeito de São Paulo.

Na réplica, Marçal trouxe à tona o boletim de ocorrência feito pela esposa de Nunes, que o acusou de agressão, e disparou: “Você é tchutchuca do PCC”, intensificando os ataques. Nunes rebateu, destacando que Marçal é o candidato mais rejeitado e disse que ama sua esposa. Em determinado momento, Marçal, aos gritos, afirmou que Nunes será preso. “Vou te colocar na cadeia”.

Já Datena, em seu direito de resposta, criticou Marçal, mencionando que o candidato do PRTB já foi condenado pela Justiça. “Único jeito de falar com bandido condenado, ladrão virtual de velhinhos, é pela Justiça”, declarou o candidato do PSDB. “Não bato em covarde duas vezes”, acrescentou o apresentador, justificando a cadeirada que deu em Marçal no debate da TV Cultura como um ato de legítima defesa.

Tom de debate fica mais ameno

No início do segundo bloco, Marina Helena questionou Tabata Amaral sobre encontros com seu namorado, o prefeito de Recife, João Campos (PSB), exigindo mais transparência. Tabata respondeu, negando viagens em aviões particulares e ironizando que, se a adversária está interessada em sua vida pessoal, pode assistir à sua série no YouTube. “Isso é um delírio grave, Marina. Com todo respeito, aguarde um processo. Isso não corresponde à realidade”, afirmou Tabata.

O tema da cadeirada voltou à tona quando Datena e a candidata do Novo se enfrentaram. Datena defendeu sua ação, explicando que foi acusado injustamente de um crime e que a verdadeira “cadeirada” foi o impacto emocional de tal acusação. “Olha, cadeirada quem levou foi eu, por ter sido acusado de um crime que eu nem passei perto de cometer. Um processo que já está arquivado e que nem falava sobre estupro. Fui acusado de uma forma vil. Isso é a pior cadeirada que um cidadão pode receber”, rebateu Datena.

Durante as perguntas dos repórteres, Datena foi questionado por Raquel Landim se estava arrependido de ser candidato e de ter formado chapa com Tabata. “Eu não me lancei nada. Quem me lançou foi o partido”, afirmou. “Não me arrependo de nada que fiz na vida.” Ele elogiou Tabata e afirmou que sua posição nas pesquisas é mérito dela, destacando que o PSDB foi responsável pelo contato com ela.

Guilherme Boulos foi questionado sobre o deputado federal Janones, indiciado pela PF por um suposto esquema de “rachadinha”. Boulos explicou que, apesar de ter dado um parecer favorável a Janones, casos de corrupção serão punidos durante seu mandato e lembrou que o partido de Janones apoia Ricardo Nunes em São Paulo.

Já Marçal afirmou que criticou o Bolsa Família, chamando-o de “Bolsa Miséria”, porque os beneficiários nunca prosperarão com o valor recebido.

No terceiro bloco do debate, os embates também foram menos acalorados. Marçal continuou a lançar ataques, provocando Boulos ao chamá-lo de “boules” e recebeu uma nova repreensão da mediadora. O candidato do PRTB então questionou Boulos sobre suas prisões, perguntando: “Você foi preso três vezes. Na Fiesp, havia alguém morando lá quando você foi depredar patrimônio público?” Boulos rebateu, acusando Marçal de viver de mentiras e afirmando que sua provocação tem “prazo de validade, dura só três semanas”. Enquanto Boulos falava, Marçal ria de forma irônica e, em um momento, colocou um adesivo com seu número de votação sobre a boca durante o confronto.

No direito de resposta, Datena criticou Marçal por continuar a fazer “acusações brutais” e atingir sua honra. “Ele mente à vontade, no momento em que ele quer. Ele devia explicar como ficou bilionário em tão pouco tempo”, afirmou. Nunes também utilizou seu direito de resposta para acusar Marçal de provocar candidatos para obter clipes para redes sociais, dizendo: “Ele é especialista em dar golpe, e as pessoas às vezes caem no golpe.”

Marçal manda tio “se virar” após crítica a sua postura

O quarto bloco do debate começou com o direito de resposta concedido a Nunes, após Pablo Marçal atacar a esposa do prefeito. Nunes rebateu, dizendo: “Ele está citando situação que houve há 10 anos” e afirmou que o caso já foi desmentido pelos envolvidos.

Em resposta a perguntas de Thiago Herdy, do UOL, sobre possíveis irregularidades em obras emergenciais e a participação de um compadre do prefeito, Nunes admitiu que “talvez teve uma combinação” de preços entre as empresas, mas negou responsabilidade da prefeitura.

Tabata Amaral afirmou que está sendo prejudicada nas pesquisas devido à polarização, enquanto Boulos observou que foi o único a não ter conversas diretas com Pablo Marçal no WhatsApp, brincando: “Se receber eu bloqueio, desse grupo de zap não quero fazer parte, não”.

Marçal foi questionado por Stella Ferraz da RedeTV! sobre um comentário de seu tio, Edson Marçal, que discordou do comportamento dele de atacar adversários com apelidos pejorativos. Marçal respondeu de forma ríspida: “Meu tio Edson, que me pediu pra gravar vídeo, você não vai ganhar vídeo, e se vire para se eleger aí no interior de Goiás.”

Marina Helena negou apoio a Marçal, apesar de muitas vezes ter alinhado com ele nos debates, e acusou jornalistas de darem mais destaque a alguns candidatos do que a outros. Datena discutiu a necessidade de punições mais severas para infrações de alta velocidade. O debate encerrou com as considerações finais dos candidatos.

Debate ocorre após polêmica de agressão

O debate desta terça-feira acontece em meio à polêmica entre Datena e Marçal, ocorrendo apenas dois dias após o apresentador ter agredido o candidato de PRTB durante um confronto no debate anterior, promovido pela  TV Cultura no domingo, 15.

Datena foi o primeiro candidato a chegar à sede da RedeTV! nesta manhã. “Espero que haja civilidade entre os candidatos”, afirmou. Ele também destacou que o debate “tem que ter espaço para ideias e não ataques”.

Já Pablo Marçal, em sua chegada ao debate, demonstrou agressividade ao lidar com jornalistas, recusando-se a falar com a imprensa, comportamento diferente dos demais candidatos. Foi o único a adotar essa postura. Além disso, ele tentou tirar satisfação com o jornalista que afirmou ao vivo que ele não falaria com os veículos de comunicação. 

Quando já estava posicionado no púlpito do debate, Marçal fez o “M” com a mão enfaixada pela cadeirada que levou de Datena, e depois recusou a água oferecida pela emissora, insistindo que só beberia a água trazida por sua própria equipe de campanha. A postura não é uma novidade, já que em 2022, Jair Bolsonaro (PL) levou uma garrafa de água própria para não beber a água oferecida no debate promovido pela TV Globo.

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