Começamos o ano abordando as teses proeminentes para o mercado imobiliário em 2025. O Imobi Report consultou renomados especialistas da área, que apresentaram as suas perspectivas para o setor neste novo ano.
Entre os convidados a abordar essas questões, estão quatro membros da diretoria da CUPOLA: Kariny Martins, Michel Prado, Renata Maciel e Rodrigo Werneck. Outros dois especialistas que apresentaram ao Imobi as suas perspectivas para 2025 foram o sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica, Guilherme Werner, e o managing partner da Terracotta Ventures, Marcus Anselmo. Além disso, para falar especificamente sobre tecnologia, foram convidados o CEO da Lais, Allan Paladino, e o diretor de IA da Nalk, Rafael Milagre.
Confira abaixo o que esses profissionais falaram sobre ambiente organizacional e posicionamento, cenário micro e macroeconômico, além, é claro, de tecnologia e inteligência artificial.
Rodrigo Werneck, CEO e estrategista-chefe da CUPOLA; Renata Maciel, diretora da unidade de Consultoria da CUPOLA; Michel Prado, diretor da unidade de Educação da CUPOLA; Kariny Martins, diretora de atendimento da CUPOLA
Para o ano de 2025, algumas tendências se sobressaem. São movimentos que já percebemos nos últimos anos e que devem se intensificar nos próximos meses. Dentro do ambiente corporativo, para todas as empresas, destacamos a importância de ter uma cultura organizacional bem definida. Uma das dicas que temos dado é realizar um diagnóstico de cultura, para ter clareza sobre os valores e a forma de atuação da empresa. Isso ajuda muito em diversos processos internos e de gestão de pessoas, como recrutamento, feedbacks e no desenvolvimento profissional.
Quando falamos de posicionamento de mercado, uma bandeira que a CUPOLA continua a disseminar em 2025 é a atuação por nicho. Com a especialização, é possível manter o foco e construir reputação. Também é possível preparar melhor as equipes para desempenharem um trabalho realmente reconhecido pelos clientes. Por isso, consideramos que os nichos continuam sendo fundamentais neste ano, como uma possibilidade de diferenciação para as empresas.
Entre os grandes temas para 2025, não podemos deixar de mencionar a Inteligência Artificial (IA). Neste momento, a maioria das pessoas está olhando para a otimização das atividades no atendimento inicial aos clientes, que já está transformando a rotina de muitas empresas. As máquinas também estão assumindo atividades mais burocráticas e repetitivas, e, nesse sentido, há inúmeras oportunidades para otimização do trabalho.
Nós percebemos que muitas empresas buscam soluções prontas, mas há grandes perspectivas para uma personalização, que traz uma atuação única e específica para imobiliárias e incorporadoras. Acreditamos que o caminho é olhar de dentro para fora, e não o contrário. É necessário primeiro entender o problema que se quer solucionar. Considerando essa visão, ainda há muito o que avançar.
Em relação às ferramentas que utilizam IA, especificamente, a próxima onda deve estar relacionada a uma evolução dos CRMs. Eles serão alimentados pelas conversas vindas do whatsapp, ou de outras fontes, e a IA deve contribuir com o trabalho, apontando direcionamentos para os corretores. Podemos dizer que todos os CRMs estão olhando para isso hoje, para melhorar a produtividade e a eficiência dos corretores.
Marcus Anselmo, managing partner da Terracotta Ventures
Dos temas já difundidos em 2024, acreditamos que funding e residência como serviço tendem a avançar ainda mais em 2025. Em termos de funding, vários modelos inovadores já demonstraram potencial e a tendência da criação de veículos secundários – investidores que apostam nesse modelo – deve se ampliar. Startups como Inco, Makasi e Solve já provaram a capacidade de conectar o capital à demanda. No entanto, para aproveitar esse espaço, o setor tem que buscar a capacidade de lidar com estruturas de capital mais sofisticadas e modelos de gestão.
Um tema que deve ganhar tração em 2025 é “Dados e IA”. Em uma missão recente que estivemos em Boston e Nova York, vimos a clara evolução do tema. A IA potencializou o desenvolvimento de negócios em toda a cadeia do ciclo imobiliário desde o desenvolvimento, em startups como a AirWorks (suportada pelo MIT), até negócios muito robustos, como a Ten-X, que usa dados da Costar (que a adquiriu) para gerar liquidez em ativos imobiliários. Em termos de IA, finalmente alguns cases diferentes começam a surgir, como o uso de multiagentes para mapear o processo de aprovação de empreendimentos em cidades e o cruzamento de arquitetura generativa (startups como a Arqgen) com dados para o desenvolvimento imobiliário, suportados por IA e dados.
Por fim, um tema que tem passado por baixo do radar é o de eficiência energética e clima. Dois fatores tendem a aumentar a importância desse assunto: as mudanças climáticas e a pressão sobre consumo energético. Do lado climático, começamos a ter desafios emergentes nas edificações, como o problema de fundações em empreendimentos do Canadá por derretimento do permafrost, ou o de ventos acima da velocidade histórica causando problemas com janelas. Do outro lado, o aumento da frota de veículos elétricos e do consumo de energia em data centers, com o crescimento da adoção de IA, vem criando pressão para redução do consumo de energia em outros setores, como o de real estate.
Nos EUA, conceitos como o de Passive Homes já são parte da regulação local, acrescentando complexidade e custos na construção. No Brasil, como a motivação de mercado é diferente (para venda, diferentemente do mercado norte-americano, é mais orientado à renda), a preocupação com a eficiência energética é menor. Mas a sobrecarga da matriz energética atual, bem como os fenômenos climáticos, tendem a puxar esse assunto com importante suporte de tecnologias – sejam as desenvolvidas no Brasil ou trazidas de fora.
Guilherme Werner, sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica
Em relação ao mercado de locação, o que se espera para 2025 é a manutenção do cenário registrado em 2024, com aumentos expressivos. Contribuem para isso o fato de que as perspectivas para o crédito imobiliário devem continuar um pouco mais incertas e com menor volume, comparado ao ano passado, que foi um ano recorde. Isso pode favorecer o mercado de locação.
No setor da construção/incorporação, a expectativa para 2025 é de estabilização, embora possamos ver um avanço expressivo no mercado do Minha Casa Minha Vida, que é essencialmente voltado à compra por necessidade. Ou seja, estamos falando de uma compra menos suscetível à desistência, se comparada a outros tipos de produto, em um cenário econômico mais desafiador em relação aos juros.
O que impulsiona o mercado econômico, não só o Minha Casa Minha Vida, mas também o mercado de médio padrão, é o controle inflacionário que temos mantido, mesmo com custos elevados de juros. Além disso, o retorno do rendimento médio real das famílias, que está em melhores patamares, e a volta do emprego são fatores importantes. O mercado de compra por necessidade tem se beneficiado do pleno emprego, que já se espalha por boa parte do país.
Esse cenário é um grande catalisador da vontade de comprar imóveis para boa parte da população brasileira. O emprego e a estabilidade econômica possibilitam que muitas famílias assumam uma dívida de longo prazo, como o financiamento imobiliário. Com a volta do rendimento médio real, a manutenção do emprego e a inflação controlada, a tomada de decisão por parte do público será mais rápida.
Por outro lado, os desafios para a classe média são mais evidentes, já que a renda dessa camada está mais achatada em cenários de juros altos. Ou seja, o comprometimento de renda das famílias da classe média tende a aumentar nos cenários atuais. Por isso, é importante acompanhar com mais cautela esse segmento, além de criar políticas que incentivem essa faixa de renda, assim como já existem políticas voltadas para as camadas mais baixas da pirâmide.
Allan Paladino, CEO da Lais – Inteligência Artificial para o Mercado Imobiliário
As perspectivas para 2025 indicam uma consolidação ainda maior da tecnologia no mercado imobiliário. A adoção de inteligência artificial (IA) deve seguir sendo o grande destaque, e estimo que, em dezembro de 2025, pelo menos 1 em cada 3 atendimentos imobiliários vai contar com a ajuda dessa tecnologia.
Imobiliárias que utilizarem IA para humanizar e escalar esses atendimentos terão mais chances de engajar leads de forma eficiente, mesmo em cenários econômicos desafiadores. O desafio será alinhar tecnologia, processos e capacitação dos times para oferecer um atendimento que combine agilidade, precisão e empatia.
Além disso, a IA deverá expandir sua atuação para áreas como a administração imobiliária, o suporte em estratégias de marketing digital e o treinamento de corretores e equipes da imobiliária. Os corretores, inclusive, irão se beneficiar ainda mais da tecnologia, tornando-se mais produtivos e focados no fechamento de negócios. O cenário aponta para um setor imobiliário mais eficiente, tecnológico e centrado no cliente, onde a inovação continuará a ser a chave para o crescimento.
Rafael Milagre, diretor de Inteligência Artificial da Nalk
O mercado imobiliário em 2025 será marcado pela adoção prática de soluções de IA que estão redefinindo como as empresas se conectam com seus clientes. Um dos avanços mais relevantes é a integração de sistemas de atendimento com IA em plataformas como WhatsApp, Instagram e sites corporativos. Com essa tecnologia, imobiliárias poderão responder dúvidas, agendar visitas e até iniciar processos de negociação de forma automática e 24/7. Essa integração melhora significativamente a experiência do cliente, garantindo agilidade e personalização no atendimento.
Além disso, a automação de processos burocráticos, como a geração e revisão de contratos, trará mais eficiência para o setor. Ferramentas de IA conseguem revisar documentos em minutos, reduzindo erros e acelerando etapas que antes consumiam muito tempo. Isso permite que corretores e gestores foquem em estratégias de venda e relacionamento, em vez de se perderem na burocracia.
Por fim, tecnologias como os óculos inteligentes Ray-Ban Meta prometem revolucionar a maneira como os imóveis são apresentados. Corretores poderão oferecer visitas virtuais em tempo real para clientes distantes, enquanto assistentes embutidos nos óculos fornecem informações detalhadas sobre os imóveis durante as exibições. Para o mercado de luxo e investidores internacionais, os óculos ainda trazem tradução simultânea, ampliando as oportunidades de negócio. Essas inovações são mais do que tendências; são ferramentas que colocarão quem as adotar na vanguarda do setor.
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